A ARTE DE VENDER
 
 
O mascate obstinado
O vendedor que ficou rico levando produtos aos rincões do Pará

De morador de cortiço a dono de uma mansão avaliada em 1,5 milhão de reais em dez anos. De vendedor de periferia a representante comercial com faturamento mensal de 4milhões de reais. Da bicicleta a um BMW em dois anos.

Resumidamente assim a trajetória do empresário Marcus Arrais, um cearense de 50 anos que aos 16 mudou-se para Belém (PA) e lá construiu seu pequeno império, erguido a partir de seu talento natural para vendas.Sempre que perguntavam a Arrais qual a sua explicação para um crescimento tão expressivo, ele responde com uma única palavra: necessidade “minha maior motivação no início era não ter ninguém a recorrer”, diz.Sem pai, mãe e parentes na cidade – todos ficaram no Ceará –, Arrais sabe que se não levantasse todos os dias com disposição para vender não sobreviveria. “Diante disso, pra mim não havia cliente complicado nem mercadoria difícil de vender” afirma.
 
Saída inovadora – no início havia muitos produtos complicados. Ele se recorda que o segundo produto que começou a vender – o primeiro foi o palito Gina – era uma marca regional de velas. Como precisava ampliar as vendas ele decidiu renovar. Aproveitando a forte tradição religiosa de Belém Arrais colocou velas utilizadas em rituais de candomblé nas gôndolas dos supermercados. Até então esse produto só era encontrado em lojas de artigos religiosos. No início foi complicado convencer os donos de supermercados e também os consumidores, que tinham vergonha de colocar velas pretas e vermelhas nos carrinhos de compras. A saída encontrada por Arrais foi bancar ele mesmo, durante alguns meses, a exposição de velas nas lojas. Contratou promotores de vendas para conversar com os consumidores e acabou por criar o hábito de se comprar esse tipo de vela em supermercado. Resultado: a fábrica vendeu mais, sua comissão cresceu e a fama de bom vendedor se espalhou. Com isso ele conquistou, em 1979, a representação do lacticínio Leco. Na seqüência vieram marca Expressivas, como Usina da Barra, Gomes da Costa, Melitta e Parmalat, Entre outros. Chegou a ter a representação de vendas para Pará e Amapá de 17 marcas. Atualmente são 12. Em poucos anos, o tino comercial de Arrais começou a se traduzir em recordes de vendas. Só de sardinhas ele chegou a vender 30 mil caixas por mês. Isso lhe rendeu muitas comissões, a conquista do prêmio de melhor vendedor dado pela Gomes da Costa, um dos principais fabricantes do produto no país. A receita de Arrais para vender sempre, Segundo sua própria definição, é não fugir dos obstáculos. “Se você quer me ver estimulado, é só me dar coisas difíceis de fazer”, afirma ele.
 
 
 
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